" Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?"
- Assim falou Zaratustra

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"Antes do Dia Partir"


O livro Non-Stop – Crônicas do Cotidiano de Martha Medeiros tem me levado a uma reflexão sobre vários pontinhos da minha vida, pela maneira sensível e prática que a mesma aborda variados temas do dia-a-dia. Uma crônica em especial me chamou atenção para uma prática bem simples, mas capaz de nos fazer perceber que sempre acontece algo no nosso dia que o faz ter valido a pena. É só estarmos atentos...

Hoje o dia foi recheado: oração especial, omelete da mamãe, carinho de amiga, gentileza de médico e voz querida ao telefone. ;)




Antes do Dia Partir...Martha Medeiros



Paulo Mendes Campos, em uma de suas crônicas reunidas no livro "O Amor Acaba", diz que devemos nos empenhar em não deixar o dia partir inutilmente.
Eu tenho, há anos, isso como lema.

É pieguice, mas antes de dormir, quando o dia que passou está dando o prefixo e saindo do ar, eu penso: o que valeu a pena hoje? Sempre tem alguma coisa. Uma proposta de trabalho. Um telefonema. Um filme. Um corte de cabelo que deu certo. Até uma briga pode ter sido útil, caso tenha iluminado o que andava escuro dentro da gente.

Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo: ganhar um aumento, ganhar na loteria, ganhar um pedido de casamento, ganhar uma licitação, ganhar uma partida. Mas para quem valoriza apenas as megavitórias, sobram centenas de outros dias em que, aparentemente, nada acontece, e geralmente são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, e seguem cultivando sua angústia existencial com carinho e uísque, mesmo já tendo seu superapartamento, sua bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado.

Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes. Uma segunda-feira valeu por um programa de rádio que fez um tributo aos Beatles e que me arrepiou, me transportou para uma época legal da vida, me fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim. Na terça, meu dia não foi em vão porque uma pessoa que amo muito recebeu um diagnóstico positivo de uma doença que poderia ser mais séria. Na quarta, o dia foi ganho porque o aluno de uma escola me pediu para tirar uma foto com ele. Na quinta, uma amiga que eu não via há meses ligou me convidando para almoçar. Na sexta, o dia não partiu inutilmente, só por causa de um cachorro-quente. E assim correm os dias, presenteando a gente com uma música, um crepúsculo, um instante especial que acaba compensando 24 horas banais.

Claro que tem dias que não servem pra nada, dias em que ninguém nos surpreende, o trabalho não rende e as horas se arrastam melancólicas, sem falar naqueles dias em que tudo dá errado: batemos o carro, perdemos um cliente e o encontro da noite é desmarcado.

Pois estou pra dizer que até a tristeza pode tornar um dia especial, só que não ficaremos sabendo disso na hora, e sim lá adiante, naquele lugar chamado futuro, onde tudo se justifica.

É muita condescendência com o cotidiano, eu sei, mas não deixar o dia de hoje partir inutilmente é o único meio de a gente aguardar com entusiasmo o dia de amanhã.


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Flor...



Não sei o que mais me fascina em Flor, talvez seja a sua alma em chamas, dramática, sensível e apaixonada.

Escolhi hoje “Os versos que te fiz”. Por tudo que teria dito...


Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca



quarta-feira, 20 de maio de 2009

Vai saber...




Por que ela se apaixonou? Essa era a pergunta que não parava de se fazer.

O que a tocou tão profundamente a ponto de perder-se inteira?

Não foi pela beleza. Não, não pode ter sido. Será? Aquela beleza displicente, de sorriso fácil, torto, por vezes ingênuo e cheio de sonhos.

Seria o olhar? Aquele olhar...de olhos negros como duas turmalinas. Cheios de magia, que a levara para o paraíso. Por vezes tão doce a ponto de emocioná-la, e por vezes desconcertante, de um desejo declarado, sem disfarces. É bem provável que tenha sido essa combinação ternura-loucura. E ela foi sugada inteira para dentro daquele olhar, e o mundo inteiro coube ali. Será que algum dia encontrará o caminho de volta?

Mas havia também a voz. Não, o que teria de insólito naquela voz? Talvez o jeito de pronunciar o seu nome, quase como um sussurro, um segredo. O que sabe, é que quando escutava aquela voz, todos os outros sons ficavam quase que imperceptíveis. Aliás, havia um som que ela ainda podia ouvir...o som do seu coração, batendo descompensado, mais parecendo a bateria de uma escola de samba desgovernada. Também sinos tocavam?

E não foi o cheiro. Ela nem gostava daquele perfume audacioso... isso bem antes dele se transformar no que havia de mais aromático no planeta. Seria a mistura do cravo-da-índia com insenso que deixava a sua pele tão sedutora? Não...era algo mais forte. Talvez existisse um ímã ali.

Seria então o cabelo...não, alguém se apaixonaria por um cabelo?. Ainda que fosse o mais cintilante, não causaria tal proeza.

É... pode ter sido tudo isso, ou não. O que tem certeza na verdade, é que o mundo se abriu em cores num céu aberto de possibilidades na sua chegada. E todas as estrelas sorriam lá de cima, anunciando a vinda dos dias mais felizes ou nem tão felizes assim, mas certamente infindáveis. E os astros também proclamavam que ela jamais seria a mesma, e ainda que aquele encontro durasse somente um instante...ela se apaixonaria.

Sim... havia algo mais...talvez ela tenha se apaixonado pelo universo encantado que acabou descobrindo no primeiro momento que contemplou aquele ser.

E ela ainda permanece lá...

Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis”. Drummond.


terça-feira, 19 de maio de 2009


Mesmo que os meus olhos
nunca mais sintam a emoção do encontro com os teus

Mesmo que eu não mais escute o seu nome querido

Mesmo que o tempo consiga apagar a lembrança do teu sorriso perfeito...

Ainda assim, seguirei te amando.

Talvez para sempre, ou só até amanhã

O amor mais puro e forte que já pude sentir...


...my heart is yours...