" Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?"
- Assim falou Zaratustra

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sra. Tristeza

A Sra. tristeza é danada. Chega sorrateira, de pés descalços, quando menos se espera...quando já se acredita em dias brandos, quando já se pode avistar o rabicho da felicidade dobrando a esquina em nossa direção, quando já se é possível respirar.
Quisera ver-te errar o caminho da minha porta. Quisera ver-te bem longe, esvaindo-se e nunca mais.

Bom Dia, Tristeza
Vinicius de Moraes
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você
Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui, nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

...

Anseio por teu abraço.
Tenho a nítida sensação de que o mundo seria bem mais brando e belo visto por cima dos ombros teus.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

SP amada...



São Paulo, Av. Paulista.


Um café, um cigarro, boas risadas, vento nos cabelos, lua cheia prateada completando o cenário.


A noite é muito boa do lado de cá...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Aos olhos teus...

Fico a me perguntar onde estará seu olhar.
De olhos diferentes de tudo que já pude ver nesta vida.
Tenho inveja de quem possa estar fitando-o nesse exato momento. A mim, resta lembrar do céu estrelado nos teus olhos e de todas as vezes que fui arrebatada para dentro daquele negrume encantado. Perplexa. Sem respirar, sem desviar, sem resistir, sem poder decidir. Lembrança viva, perpétua.
Saudade de tantas cores, todas cintilantes. De graça. E quanta graça! E também mistério, esperança.
Saudade de ser arrancada do chão ao fitá-los. Saudade de marejar, latejar, suspirar.
Fico a me perguntar ainda se um dia, em algum tempo, em algum lugar, alguma era, naufragarei novamente no mar dos teus olhos.
Olhos tão meus.
Olhos de adeus.
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz
A história de Lili Braun, Chico Buarque

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Internalizando...

"- É preciso saber sentir, mas também saber como deixar de sentir, porque se a experiência é sublime pode tornar-se igualmente perigosa. Aprenda a encantar e a desencantar. Observe, estou lhe ensinando qualquer coisa de precioso: a mágica oposta ao "abra-te, Sésamo". Para que um sentimento perca o seu perfume e deixe de intoxicar-nos, nada há de melhor que expô-lo ao sol."
(C. Lispector)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

"Esquadros"

Na rádio toca “esquadros”, da Calcanhotto. A mesma velha-nova canção de anos atrás. Lembro-me bem a primeira vez que a escutei pelo som do toca-fitas do meu irmão. Lembro-me também de ter ficado perplexa com a densidade da canção, tão bem contrastada com a voz doce e inspiradora de Adriana. Um lindo poema capaz de traduzir-me, na íntegra, de uma maneira que jamais conseguiria e que ainda hoje, depois de anos, me surpreende.
E como a mesma afirma, música é onda. Flui livremente... vai, volta... e segue seu curso de encantar e (re)encantar.
E aqui estou, embalada mais uma vez pela canção tema de minha vida. Que permanece...imperecível.

Esquadros (1991)

Eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
cores de Almodóvar
cores de Frida Kahlo, cores
passeio pelo escuro
eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
e como uma segunda pele um calo, uma casca,
uma cápsula protetora
eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
chorando ao telefone
e vendo doer a fome nos meninos que têm fome

Pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela(quem é ela? quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

Eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?
transito entre dois lados de um lado
eu gosto de opostos
exponho o meu modo me mostro
eu canto para quem?

Pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela(quem é ela? quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
minha alegria, meu cansaço?
meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado

Adriana Calcanhotto, para seu irmão Cláudio.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Apesar de...


“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.” Clarice Lispector

Destaco hoje um trecho do Livro “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres” da genial Clarice Lispector, que retrata tão bem minha fase atual de vida. Sempre me identifico com Clarice. Ela tem o poder de me fazer mergulhar nos meus sentimentos mais profundos, percorrendo caminhos obscuros, adormecidos, e que trazem certo desconforto à alma, como um pontinho tenebroso no céu, que não se dissipa, ainda que coberto por uma gigantesca nuvem alva. Por tanto, precisam ser trabalhados, explorados, repensados.
Então, refletindo em tudo que tenho vivido, questiono a minha relação com todos os “apesar de” que desbravo no dia a dia. É possível ser feliz apesar de tantos desencontros, desencantos, obstáculos, surpresas desagradáveis? É possível ser feliz apesar de tanta desilusão, desigualdade, tantas dores? É possível ser feliz apesar de tanta contradição, multidão, solidão? Apesar de uma saudade, de uma ausência? É. É possível. A vida nos prova que é. Todos os dias vemos histórias fabulosas de pessoas que fizeram de suas desgraças uma ponte para o sucesso e crescimento espiritual e que através da superação conseguiram se reencontrar consigo mesmas, recuperando a alegria de viver.
Penso que esse seja o grande desafio da nossa existência...ter força e sabedoria para continuar...seguir em frente sempre. Encontrar sempre uma nova cor, um novo brilho, um novo sentido.
Essa é a minha meta diária...aprender a saborear a vida apesar de tantos entraves. Sentir seu gostinho bom e eternizá-lo em mim. Ter sempre um novo rumo, um novo prumo, uma nova missão.
Saber-me feliz também apesar de ter no peito esse amor tão sufocado, já desbotado e que nunca diz adeus.

“Senhor concede-me a serenidade necessária para aceitar aquilo que não pode e não deve ser mudado. A força e a coragem necessárias para mudar aquilo que pode ser mudado. E sabedoria para distinguir uma coisa da outra”. Oração da serenidade.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A um amor viajante...

"I say a little prayer for you"


Aproveite cada momento.
Aprenda algo com cada pessoa que encontrar em seu caminho.
Faça novos amigos.
Seja humilde, mas nunca bobo.
Sonhe em Paris.
Chore em Paris.
Sorria em Paris.
Se apaixone em Paris, e nem tente procurar no novo amor características do antigo, não encontrará. Ame o novo sorriso!
Curta o frio...mas não permita que o inverno congele o seu coração. E quando o Sol chegar, ainda que acanhado, abrace-o!
Não tenha medo de ficar. Não tenha medo de voltar. Escute o seu coração. Ele sempre te mostrará o caminho.
Cuide bem de João. E lembre-se que ele deverá voltar para mim, para casa. Eu cuidarei de “de todas as maneiras” até a volta. (risos).

Escute a "nossa favorita" e chore de saudade...esqueça, "love is a losing game" é roubada...Acreditemos no amor...mais uma vez!
Não escute “baioque” (risos)...“o meu canto, punhalada, não conhece perdão”.
Tire muitas fotos. E encha a minha caixa de e-mail!
Me mande um postal de cada local lindo que visitar. Aff, serão muitos! rs.
Experimente. E que todos os seus dias sejam cheios de vida, de amor e de esperança.
Tenha sempre coragem para arriscar mais, amar mais, ser feliz mais!
E nunca esqueça... eu sempre amarei você!

Cuide-se bem !

Perigos há por toda a parte
E é bem delicado viver
De uma forma ou de outra
É uma arte, como tudo...
Cuide-se bem!
Tem mil surpresas à espreita
Em cada esquina mal iluminada
Em cada rua estreita
Em cada rua estreita
Do mundo...
Pra nunca perder esse riso largo
E essa simpatia estampada no rosto...
Cuide-se bem!
Eu quero te ver com saúde
E sempre de bom humor
E de boa vontade
E de boa vontade
Com tudo...
Guilherme Arantes

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Os meus versos"

Flor...me traduz, me exprime, me seduz...
Fala o que se passa aqui dentro, que repousa no coração e não se converte em palavras...
Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…
Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…
Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…
Florbela Espanca

domingo, 6 de setembro de 2009

Setembro

“Me espera, amor, que eu estou chegando, depois do inverno, a vida em cores
Me espera, amor, nossa temporada das flores”
Leoni


Setembro é sempre assim...
Chega trazendo esperança de dias melhores
O céu tem novo tom, sem cinzas, sem brancos álgidos, sem sombras
E o sol tem o brilho de renovação, de renascimento
Cessado o temporal, as flores começam a brotar esplêndidas, enfeitando olhos, perfumando vidas, ensinando a alegria de viver
Os pássaros têm outro canto, outras cores, outro bailado
Setembro é sereno...
E quando anoitece, as estrelas sorriem lá de cima, anunciando a chegada de noites mágicas
Do luar de setembro, salpicam gotículas de felicidade, que encharcam os corações de paz
Setembro é promessa...
Permita Deus que eu seja sempre setembro...
Que esteja sempre pronta para me reconstruir, ressurgir, reflorir
Que minha alma sempre acorde vestida de flores coloridas após a longa tempestade
Que meu coração nunca deixe de escutar o canto renovado dos pássaros
Que meus olhos tenham sempre os raios de luz das manhãs como as de setembro
E assim como a natureza, possa abandonar a solidão dos dias frios,
e abraçar com ternura as graças da primavera.


"Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou"
Beto Guedes

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"But it's only when I sleep
See you in my dreams
Got me spinning round and round
Turning upside down"
The Cors
Essa noite sonhei que você estava aqui amor
Podia sentir seu coração bater em meio seio
E seu abraço aveludado silenciava meus pensamentos, acalmava minha tempestade, secava meu pranto, afastava todo o fantasma das dores vãs
Invadia-me de felicidade e minha alma não mais carregava o peso da desilusão, repousava serena, inebriada pela sua luz
E meu quarto, antes escuro, antes gélido, antes morto, florescia colorido, encantado pela beleza de nossas almas juntas
A noite estrelada envolvia-nos em seu manto sagrado e assistia quieta às promessas que fazíamos com o silêncio do nosso olhar perene
O mundo era isso, nossos corpos juntos e nada mais
Lembrei de suplicar baixinho aos céus... “que não seja um sonho, não seja um sonho”
E de repente abri os olhos, abracei o vácuo, enrolei-me na realidade fria e dilacerante dos lençóis ainda embebedados pelo teu perfume e voltei a dormir, sozinha, coração rasgado no peito pela dor das lembranças de uma noite irreal.

"Corre a lua, porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
o horizonte anuncia com seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por essa noite
Porque está amanhecendo?
Peço o contrário, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for"
Nando Reis

16/07/09

Love is a losing game

For you I was a flame
Love is a losing game
Five story fire as you came
Love is a losing game

Why do I wish I never played
Oh, what a mess we made
And now the final frame
Love is a losing game

Played out by the band
Love is a losing hand
More than I could stand
Love is a losing hand

Self professed... profound
Till the chips were down
know you're a gambling man
Love is a losing hand

Though I'm rather blind
Love is a fate resigned
Memories mar my mind
Love is a fate resigned

Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame
Love is a losing game

Amy Winehouse

domingo, 5 de julho de 2009

"Destiny"


"I want Destiny
It's the place for me
Give me the simple life
I'm getting away from here
Let me be free, let me be me

I wanna be far from here
Should I up and fly away so fancy free
Nobody can change my mind
I'm screamming out these words for me
While time
Destiny, ah destiny, it's calling me
Destiny, a place for me
Ah, destiny
I want destiny"

Michael Jackson

quinta-feira, 2 de julho de 2009

De que adianta?

De que adianta guardar esse beijo, guardar esse abraço,
não gastar o sapato, encurtar o passo,
se nessa estrada você não vem?
De que adianta manter a porta aberta,
esconder a pressa, fazer versos de amor,
se eles não tocam o seu coração?
Para que flores vermelhas, passos incertos, mares abertos
se meu navio nunca ancora no seu cais?
De que adianta guardar um sorriso amarelo, deixar a boca seca
se você não vem, inundar-me de amor?
Não, não adianta.
Mas por você amor esperaria uma eternidade,
e te ofereceria esse coração torto,

quase morto e que bate só por ti.

"Simplesmente posso esperar

Aqui por você, uma eternidade

Uma tarde inteira"

Samuel Rosa

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Mais um devaneio

Meus olhos procuram em todos os outros olhos a luz que um dia vi enfeitar o mundo, que fez com que os meus brilhassem, incandescentes.
Procuro em todas as outras faces o sorriso raro, o convite ao amor, que um dia fez a minha alma sorrir, repleta de felicidade.
Busco em todos os outros, algo que me fascine, me arrebate. Mas o que vejo são apenas rostos comuns na multidão, olhos engessados, sorrisos que não surpreendem, cores empalidecidas.
E tudo em minha volta não passa de um quadro, numa moldura cinza, indiferente.
Esperarei o tempo em que todas as coisas se movimentarão normalmente, levemente, como uma valsa. Tempo que a vida não será vista através de uma janela embaçada, desalinhada.
Não, não...esperarei o dia que meu olhar despertará com amplidão para uma vida cheia de encanto e possibilidades.
Esperarei o tempo em que meu coração florescerá para um novo amor. E que não demore!


“ depois de você, os outros são os outros e só”.
Leoni

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Saudade

Tenho saudade daquilo que não vivi.
Saudade do beijo apaixonado não dado, aquele que faz o chão desaparecer sob os nossos pés.
Saudade do abraço demorado não sentido...abraço de almas.
Saudade dos carinhos interrompidos, das palavras de amor não ditas, dos sussurros que não ouvi baixinho no momento do prazer.
Saudade das juras de amor não feitas, dos cabelos não afagados, das estrelas não contempladas de mãos dadas e da emoção não sentida em noites de lua cheia.
Saudade das músicas não cantadas em dueto, da dança que não passou de um sonho. De repousar a cabeça no ombro querido que não esteve presente quando senti medo.
Saudade de rir do nada, rir de tudo, do convívio diário que não houve, dos segredos não compartilhados, de olhar nos olhos e enxergar o mundo, de não ter acordado na madrugada só para dizer baixinho: “te amo” e voltar a dormir mais feliz.
Tenho saudade até das brigas bobas que não trouxeram aquela reconciliação boa e dos planos não feitos em baixo das cobertas.
Nada me tortura mais do que essa saudade. Ela trás ao meu peito um amargor, daquilo que não fui, daquilo que não fomos, por obra do destino ou simplesmente por não estar atenta aos sinais, deixando o tempo passar. É uma espécie de fracasso pessoal por não ter vivido um amor tão bonito. É como quem ganha um presente e não pode desfrutá-lo. É como um paraíso negado.
Paira sobre mim a dúvida de uma felicidade não sentida, de um futuro que poderia ser perfeito e que me escapa, como grãos de areia.
E essa saudade dói, bem mais do que a saudade do que já vivi.
"Também temos saudade do que não existiu e dói bastante.
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 9 de junho de 2009

Madrugada Fria

Três horas da manhã

Estou pensando em você e nesse amor que é só seu

Pensando em tudo que poderia ser

No meu quarto escuro só há solidão e o eco da minha voz gritando em silêncio a dor da sua ausência

Madrugada sem fim. A chuva cai lá fora e somente ela é testemunha dessa saudade imensa, que me tira o sono, me tira o ar, me paralisa.

Sou como um rio seco. Tudo aqui é deserto e minha alma fria, não tem paz.

Adormeço cansada, entre lágrimas que não caem mais, orando baixinho que o sol não veja o meu desalento.

Que ele traga consigo qualquer alegria, qualquer vida, qualquer brilho.

Que o amanhecer traga liberdade ao meu coração.


D.O.


"Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer."
             Mario Quintana


segunda-feira, 8 de junho de 2009

"Diga sim"

Show tão esperado da Isabella Taviani. Como descrever esse momento tão especial? Vou tentar... o show foi incrivelmente lindo, denso, mágico, tocante! E não é papo de fã...ela estava iluminada, e tenho certeza que a platéia composta de quase 3.000 pessoas foi completamente envolvida por suas canções fortes, sua voz grave e seu olhar doce, brilhante de felicidade. Acho que foi isso! Ela estava feliz, entregue, de corpo e alma e era impossível não ser contagiada por aquela energia boa. E cumpriu a promessa, deu o melhor de si! Faz tempo que não assistia um show assim...tão verdadeiro!

Confesso que chorei um oceano, mas valeu a pena, foi por amor!

Obrigada, Tavi. Diga sempre sim para Salvador!!

Obrigada, amores! Valeu também a nossa esticadinha...noite incrível! Amo vocês!
Fotos by Genilson Coutinho.

"Abri as portas da vida, louca vida
Abri meus braços pro mundo
Não to mais sem rumo
Livrei meu corpo da dor
Porque chegou a hora de viver um novo amor "
I.T.

"zii e zie"

Foto by Fernando Amorim

Eh...Caetano Veloso surpreendeu em seu show "Zii e Zie" na última sexta-feira em Salvador. Parece que seus fãs mais conservadores ficaram chocados ao vê-lo, diante de uma concha lotada, abrir o tão esperado show com um medley estilo pagodão, composto por Psirico ('Cole na corda') e Fantasmão ('Tem de ser viola' e 'Kuduro').
Gente...se ele está experimentando novos rítmos ou simplesmente ironizando, não importa! É o mesmo Caetano Veloso...que já compôs letras lindíssimas e que hoje pode se dar ao luxo de brincar, sem perder o encanto. Só podia ser leonino...rs.

Apesar de esperar que ele cantasse os grandes clássicos, principalmente no bis, confesso que adorei o espetáculo!
Caetano, você é lindo! E concordo com você...a bunda do Tony Garrido é espetacular!


Meus amores, obrigada pela companhia! Com vocês "je vois la vie en rose".

Sem Cais - Caetano Veloso/Pedro Sá
Catei colo
E o mar parou
Fui deitando
Pra perguntar

Nome, bairro
Amigo, amor
De onde vem
Parar o mar
Seu sorriso
Bateu aqui
Inda posso
Me apaixonar

Quero tanto
Quero tanto
Quero tanto
Quero tanto você
Mar aberto
Mar adentro
Mar imenso
Mar intenso
Sem cais
Tou com medo
Tou com medo
Tou com medo
Tou com medo de ver
Que inda posso
Que inda posso
Que inda posso
Ir bem mais


Barra, Gávea
E Arpoador
Deuses brancos
De luz do mar

Deuses negros
Um esplendor
Quem é essa
E o que será
Quem me dera
Eu poder me dar
Todo a essa
Que eu nunca vi

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Névoa


Manhã cinza de junho.
Por onde andas?
Que estrada te leva para mais longe de mim, longe de nós?
Não sentes em seu coração, nem de leve, que eu clamo seu nome em pensamento?
Não sabes que morro todos os dias na triste ilusão do teu chegar?
Não. Não sabes. Não sabes porque és tão vão quanto esta névoa que paira no céu.
Não sabes porque és apenas um sonho, um sonho matinal.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Quero e não quero


Sorrisos de plástico. Não os quero mais. Quero sorrisos que brotem da alma, do fundo da alma e que façam o mundo ficar mais belo, mais leve.
Receitas prontas. Estou cheia delas. Quero o incerto, quero viver de surpresas, criar versos novos, aprender com as estrelas.
Não quero pouso, quero apenas ir, sem nortes, sem teias, sem pertencer, partir livremente.
Quero o perfume das flores, o canto dos pássaros, quero mais música, mais gentileza, mais amizade.
Não quero mais calar, já fui consumida pelo silêncio. Quero gritar, quero me expor, sem medo de errar. O medo quase me roubou de mim.
Não quero representar, nem dissimular. Quero ser amada pelo que sou, pela minha essência.
Quero experimentar, quero provocar, me lambuzar, e nunca me saciar.
Quero ser desigual. A mesmice me mata, o tédio me aprisiona, o cotidiano me limita.
Não quero rótulos. Quero ser eu mesma, me reinventando a cada dia.
Quero ser feliz e fazer os outros felizes.
E quero sempre amar. Amar a tudo e a todos. Hoje, um pouco mais que ontem, amanhã bem mais que hoje.
Quero morrer de amor todos os dias e renascer sempre mais amor.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"Antes do Dia Partir"


O livro Non-Stop – Crônicas do Cotidiano de Martha Medeiros tem me levado a uma reflexão sobre vários pontinhos da minha vida, pela maneira sensível e prática que a mesma aborda variados temas do dia-a-dia. Uma crônica em especial me chamou atenção para uma prática bem simples, mas capaz de nos fazer perceber que sempre acontece algo no nosso dia que o faz ter valido a pena. É só estarmos atentos...

Hoje o dia foi recheado: oração especial, omelete da mamãe, carinho de amiga, gentileza de médico e voz querida ao telefone. ;)




Antes do Dia Partir...Martha Medeiros



Paulo Mendes Campos, em uma de suas crônicas reunidas no livro "O Amor Acaba", diz que devemos nos empenhar em não deixar o dia partir inutilmente.
Eu tenho, há anos, isso como lema.

É pieguice, mas antes de dormir, quando o dia que passou está dando o prefixo e saindo do ar, eu penso: o que valeu a pena hoje? Sempre tem alguma coisa. Uma proposta de trabalho. Um telefonema. Um filme. Um corte de cabelo que deu certo. Até uma briga pode ter sido útil, caso tenha iluminado o que andava escuro dentro da gente.

Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo: ganhar um aumento, ganhar na loteria, ganhar um pedido de casamento, ganhar uma licitação, ganhar uma partida. Mas para quem valoriza apenas as megavitórias, sobram centenas de outros dias em que, aparentemente, nada acontece, e geralmente são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, e seguem cultivando sua angústia existencial com carinho e uísque, mesmo já tendo seu superapartamento, sua bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado.

Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes. Uma segunda-feira valeu por um programa de rádio que fez um tributo aos Beatles e que me arrepiou, me transportou para uma época legal da vida, me fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim. Na terça, meu dia não foi em vão porque uma pessoa que amo muito recebeu um diagnóstico positivo de uma doença que poderia ser mais séria. Na quarta, o dia foi ganho porque o aluno de uma escola me pediu para tirar uma foto com ele. Na quinta, uma amiga que eu não via há meses ligou me convidando para almoçar. Na sexta, o dia não partiu inutilmente, só por causa de um cachorro-quente. E assim correm os dias, presenteando a gente com uma música, um crepúsculo, um instante especial que acaba compensando 24 horas banais.

Claro que tem dias que não servem pra nada, dias em que ninguém nos surpreende, o trabalho não rende e as horas se arrastam melancólicas, sem falar naqueles dias em que tudo dá errado: batemos o carro, perdemos um cliente e o encontro da noite é desmarcado.

Pois estou pra dizer que até a tristeza pode tornar um dia especial, só que não ficaremos sabendo disso na hora, e sim lá adiante, naquele lugar chamado futuro, onde tudo se justifica.

É muita condescendência com o cotidiano, eu sei, mas não deixar o dia de hoje partir inutilmente é o único meio de a gente aguardar com entusiasmo o dia de amanhã.


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Flor...



Não sei o que mais me fascina em Flor, talvez seja a sua alma em chamas, dramática, sensível e apaixonada.

Escolhi hoje “Os versos que te fiz”. Por tudo que teria dito...


Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca



quarta-feira, 20 de maio de 2009

Vai saber...




Por que ela se apaixonou? Essa era a pergunta que não parava de se fazer.

O que a tocou tão profundamente a ponto de perder-se inteira?

Não foi pela beleza. Não, não pode ter sido. Será? Aquela beleza displicente, de sorriso fácil, torto, por vezes ingênuo e cheio de sonhos.

Seria o olhar? Aquele olhar...de olhos negros como duas turmalinas. Cheios de magia, que a levara para o paraíso. Por vezes tão doce a ponto de emocioná-la, e por vezes desconcertante, de um desejo declarado, sem disfarces. É bem provável que tenha sido essa combinação ternura-loucura. E ela foi sugada inteira para dentro daquele olhar, e o mundo inteiro coube ali. Será que algum dia encontrará o caminho de volta?

Mas havia também a voz. Não, o que teria de insólito naquela voz? Talvez o jeito de pronunciar o seu nome, quase como um sussurro, um segredo. O que sabe, é que quando escutava aquela voz, todos os outros sons ficavam quase que imperceptíveis. Aliás, havia um som que ela ainda podia ouvir...o som do seu coração, batendo descompensado, mais parecendo a bateria de uma escola de samba desgovernada. Também sinos tocavam?

E não foi o cheiro. Ela nem gostava daquele perfume audacioso... isso bem antes dele se transformar no que havia de mais aromático no planeta. Seria a mistura do cravo-da-índia com insenso que deixava a sua pele tão sedutora? Não...era algo mais forte. Talvez existisse um ímã ali.

Seria então o cabelo...não, alguém se apaixonaria por um cabelo?. Ainda que fosse o mais cintilante, não causaria tal proeza.

É... pode ter sido tudo isso, ou não. O que tem certeza na verdade, é que o mundo se abriu em cores num céu aberto de possibilidades na sua chegada. E todas as estrelas sorriam lá de cima, anunciando a vinda dos dias mais felizes ou nem tão felizes assim, mas certamente infindáveis. E os astros também proclamavam que ela jamais seria a mesma, e ainda que aquele encontro durasse somente um instante...ela se apaixonaria.

Sim... havia algo mais...talvez ela tenha se apaixonado pelo universo encantado que acabou descobrindo no primeiro momento que contemplou aquele ser.

E ela ainda permanece lá...

Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis”. Drummond.


terça-feira, 19 de maio de 2009


Mesmo que os meus olhos
nunca mais sintam a emoção do encontro com os teus

Mesmo que eu não mais escute o seu nome querido

Mesmo que o tempo consiga apagar a lembrança do teu sorriso perfeito...

Ainda assim, seguirei te amando.

Talvez para sempre, ou só até amanhã

O amor mais puro e forte que já pude sentir...


...my heart is yours...