Quisera ver-te errar o caminho da minha porta. Quisera ver-te bem longe, esvaindo-se e nunca mais.
Se chegue, tristeza
Os seus olhos me chuparam
Destaco hoje um trecho do Livro “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres” da genial Clarice Lispector, que retrata tão bem minha fase atual de vida. Sempre me identifico com Clarice. Ela tem o poder de me fazer mergulhar nos meus sentimentos mais profundos, percorrendo caminhos obscuros, adormecidos, e que trazem certo desconforto à alma, como um pontinho tenebroso no céu, que não se dissipa, ainda que coberto por uma gigantesca nuvem alva. Por tanto, precisam ser trabalhados, explorados, repensados.
Então, refletindo em tudo que tenho vivido, questiono a minha relação com todos os “apesar de” que desbravo no dia a dia. É possível ser feliz apesar de tantos desencontros, desencantos, obstáculos, surpresas desagradáveis? É possível ser feliz apesar de tanta desilusão, desigualdade, tantas dores? É possível ser feliz apesar de tanta contradição, multidão, solidão? Apesar de uma saudade, de uma ausência? É. É possível. A vida nos prova que é. Todos os dias vemos histórias fabulosas de pessoas que fizeram de suas desgraças uma ponte para o sucesso e crescimento espiritual e que através da superação conseguiram se reencontrar consigo mesmas, recuperando a alegria de viver.
Penso que esse seja o grande desafio da nossa existência...ter força e sabedoria para continuar...seguir em frente sempre. Encontrar sempre uma nova cor, um novo brilho, um novo sentido.
Essa é a minha meta diária...aprender a saborear a vida apesar de tantos entraves. Sentir seu gostinho bom e eternizá-lo em mim. Ter sempre um novo rumo, um novo prumo, uma nova missão.
Saber-me feliz também apesar de ter no peito esse amor tão sufocado, já desbotado e que nunca diz adeus.
“Senhor concede-me a serenidade necessária para aceitar aquilo que não pode e não deve ser mudado. A força e a coragem necessárias para mudar aquilo que pode ser mudado. E sabedoria para distinguir uma coisa da outra”. Oração da serenidade.
Aproveite cada momento.
Aprenda algo com cada pessoa que encontrar em seu caminho.
Faça novos amigos. Seja humilde, mas nunca bobo.
Sonhe em Paris.
Chore em Paris.
Sorria em Paris.
Se apaixone em Paris, e nem tente procurar no novo amor características do antigo, não encontrará. Ame o novo sorriso!
Curta o frio...mas não permita que o inverno congele o seu coração. E quando o Sol chegar, ainda que acanhado, abrace-o!
Não tenha medo de ficar. Não tenha medo de voltar. Escute o seu coração. Ele sempre te mostrará o caminho.
Cuide bem de João. E lembre-se que ele deverá voltar para mim, para casa. Eu cuidarei de “de todas as maneiras” até a volta. (risos).
Escute a "nossa favorita" e chore de saudade...esqueça, "love is a losing game" é roubada...Acreditemos no amor...mais uma vez!
Não escute “baioque” (risos)...“o meu canto, punhalada, não conhece perdão”.
Tire muitas fotos. E encha a minha caixa de e-mail!
Me mande um postal de cada local lindo que visitar. Aff, serão muitos! rs.
Experimente. E que todos os seus dias sejam cheios de vida, de amor e de esperança.
Tenha sempre coragem para arriscar mais, amar mais, ser feliz mais!
E nunca esqueça... eu sempre amarei você!
Cuide-se bem !
Setembro é sempre assim...
Chega trazendo esperança de dias melhores
O céu tem novo tom, sem cinzas, sem brancos álgidos, sem sombras
E o sol tem o brilho de renovação, de renascimento
Cessado o temporal, as flores começam a brotar esplêndidas, enfeitando olhos, perfumando vidas, ensinando a alegria de viver
Os pássaros têm outro canto, outras cores, outro bailado
Setembro é sereno...
E quando anoitece, as estrelas sorriem lá de cima, anunciando a chegada de noites mágicas
Do luar de setembro, salpicam gotículas de felicidade, que encharcam os corações de paz
Setembro é promessa...
Permita Deus que eu seja sempre setembro...
Que esteja sempre pronta para me reconstruir, ressurgir, reflorir
Que minha alma sempre acorde vestida de flores coloridas após a longa tempestade
Que meu coração nunca deixe de escutar o canto renovado dos pássaros
Que meus olhos tenham sempre os raios de luz das manhãs como as de setembro
E assim como a natureza, possa abandonar a solidão dos dias frios,
e abraçar com ternura as graças da primavera.
"Simplesmente posso esperar
Aqui por você, uma eternidade
Uma tarde inteira"
Samuel Rosa
Três horas da manhã
Estou pensando em você e nesse amor que é só seu
Pensando em tudo que poderia ser
No meu quarto escuro só há solidão e o eco da minha voz gritando em silêncio a dor da sua ausência
Madrugada sem fim. A chuva cai lá fora e somente ela é testemunha dessa saudade imensa, que me tira o sono, me tira o ar, me paralisa.
Sou como um rio seco. Tudo aqui é deserto e minha alma fria, não tem paz.
Adormeço cansada, entre lágrimas que não caem mais, orando baixinho que o sol não veja o meu desalento.
Que ele traga consigo qualquer alegria, qualquer vida, qualquer brilho.
Que o amanhecer traga liberdade ao meu coração.
D.O.
"Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer."Mario Quintana
"Abri as portas da vida, louca vida
Abri meus braços pro mundo
Não to mais sem rumo
Livrei meu corpo da dor
Porque chegou a hora de viver um novo amor "
I.T.
Foto by Fernando Amorim
O livro Non-Stop – Crônicas do Cotidiano de Martha Medeiros tem me levado a uma reflexão sobre vários pontinhos da minha vida, pela maneira sensível e prática que a mesma aborda variados temas do dia-a-dia. Uma crônica em especial me chamou atenção para uma prática bem simples, mas capaz de nos fazer perceber que sempre acontece algo no nosso dia que o faz ter valido a pena. É só estarmos atentos...
Hoje o dia foi recheado: oração especial, omelete da mamãe, carinho de amiga, gentileza de médico e voz querida ao telefone. ;)
Antes do Dia Partir...Martha Medeiros
Paulo Mendes Campos, em uma de suas crônicas reunidas no livro "O Amor Acaba", diz que devemos nos empenhar em não deixar o dia partir inutilmente.
Eu tenho, há anos, isso como lema.
É pieguice, mas antes de dormir, quando o dia que passou está dando o prefixo e saindo do ar, eu penso: o que valeu a pena hoje? Sempre tem alguma coisa. Uma proposta de trabalho. Um telefonema. Um filme. Um corte de cabelo que deu certo. Até uma briga pode ter sido útil, caso tenha iluminado o que andava escuro dentro da gente.
Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo: ganhar um aumento, ganhar na loteria, ganhar um pedido de casamento, ganhar uma licitação, ganhar uma partida. Mas para quem valoriza apenas as megavitórias, sobram centenas de outros dias em que, aparentemente, nada acontece, e geralmente são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, e seguem cultivando sua angústia existencial com carinho e uísque, mesmo já tendo seu superapartamento, sua bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado.
Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes. Uma segunda-feira valeu por um programa de rádio que fez um tributo aos Beatles e que me arrepiou, me transportou para uma época legal da vida, me fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim. Na terça, meu dia não foi em vão porque uma pessoa que amo muito recebeu um diagnóstico positivo de uma doença que poderia ser mais séria. Na quarta, o dia foi ganho porque o aluno de uma escola me pediu para tirar uma foto com ele. Na quinta, uma amiga que eu não via há meses ligou me convidando para almoçar. Na sexta, o dia não partiu inutilmente, só por causa de um cachorro-quente. E assim correm os dias, presenteando a gente com uma música, um crepúsculo, um instante especial que acaba compensando 24 horas banais.
Claro que tem dias que não servem pra nada, dias em que ninguém nos surpreende, o trabalho não rende e as horas se arrastam melancólicas, sem falar naqueles dias em que tudo dá errado: batemos o carro, perdemos um cliente e o encontro da noite é desmarcado.
Pois estou pra dizer que até a tristeza pode tornar um dia especial, só que não ficaremos sabendo disso na hora, e sim lá adiante, naquele lugar chamado futuro, onde tudo se justifica.
É muita condescendência com o cotidiano, eu sei, mas não deixar o dia de hoje partir inutilmente é o único meio de a gente aguardar com entusiasmo o dia de amanhã.
Por que ela se apaixonou? Essa era a pergunta que não parava de se fazer.
O que a tocou tão profundamente a ponto de perder-se inteira?
Não foi pela beleza. Não, não pode ter sido. Será? Aquela beleza displicente, de sorriso fácil, torto, por vezes ingênuo e cheio de sonhos.
Seria o olhar? Aquele olhar...de olhos negros como duas turmalinas. Cheios de magia, que a levara para o paraíso. Por vezes tão doce a ponto de emocioná-la, e por vezes desconcertante, de um desejo declarado, sem disfarces. É bem provável que tenha sido essa combinação ternura-loucura. E ela foi sugada inteira para dentro daquele olhar, e o mundo inteiro coube ali. Será que algum dia encontrará o caminho de volta?
Mas havia também a voz. Não, o que teria de insólito naquela voz? Talvez o jeito de pronunciar o seu nome, quase como um sussurro, um segredo. O que sabe, é que quando escutava aquela voz, todos os outros sons ficavam quase que imperceptíveis. Aliás, havia um som que ela ainda podia ouvir...o som do seu coração, batendo descompensado, mais parecendo a bateria de uma escola de samba desgovernada. Também sinos tocavam?
E não foi o cheiro. Ela nem gostava daquele perfume audacioso... isso bem antes dele se transformar no que havia de mais aromático no planeta. Seria a mistura do cravo-da-índia com insenso que deixava a sua pele tão sedutora? Não...era algo mais forte. Talvez existisse um ímã ali.
Seria então o cabelo...não, alguém se apaixonaria por um cabelo?. Ainda que fosse o mais cintilante, não causaria tal proeza.
É... pode ter sido tudo isso, ou não. O que tem certeza na verdade, é que o mundo se abriu em cores num céu aberto de possibilidades na sua chegada. E todas as estrelas sorriam lá de cima, anunciando a vinda dos dias mais felizes ou nem tão felizes assim, mas certamente infindáveis. E os astros também proclamavam que ela jamais seria a mesma, e ainda que aquele encontro durasse somente um instante...ela se apaixonaria.
Sim... havia algo mais...talvez ela tenha se apaixonado pelo universo encantado que acabou descobrindo no primeiro momento que contemplou aquele ser.
E ela ainda permanece lá...
“Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis”. Drummond.
