" Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?"
- Assim falou Zaratustra

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Mais um devaneio

Meus olhos procuram em todos os outros olhos a luz que um dia vi enfeitar o mundo, que fez com que os meus brilhassem, incandescentes.
Procuro em todas as outras faces o sorriso raro, o convite ao amor, que um dia fez a minha alma sorrir, repleta de felicidade.
Busco em todos os outros, algo que me fascine, me arrebate. Mas o que vejo são apenas rostos comuns na multidão, olhos engessados, sorrisos que não surpreendem, cores empalidecidas.
E tudo em minha volta não passa de um quadro, numa moldura cinza, indiferente.
Esperarei o tempo em que todas as coisas se movimentarão normalmente, levemente, como uma valsa. Tempo que a vida não será vista através de uma janela embaçada, desalinhada.
Não, não...esperarei o dia que meu olhar despertará com amplidão para uma vida cheia de encanto e possibilidades.
Esperarei o tempo em que meu coração florescerá para um novo amor. E que não demore!


“ depois de você, os outros são os outros e só”.
Leoni

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Saudade

Tenho saudade daquilo que não vivi.
Saudade do beijo apaixonado não dado, aquele que faz o chão desaparecer sob os nossos pés.
Saudade do abraço demorado não sentido...abraço de almas.
Saudade dos carinhos interrompidos, das palavras de amor não ditas, dos sussurros que não ouvi baixinho no momento do prazer.
Saudade das juras de amor não feitas, dos cabelos não afagados, das estrelas não contempladas de mãos dadas e da emoção não sentida em noites de lua cheia.
Saudade das músicas não cantadas em dueto, da dança que não passou de um sonho. De repousar a cabeça no ombro querido que não esteve presente quando senti medo.
Saudade de rir do nada, rir de tudo, do convívio diário que não houve, dos segredos não compartilhados, de olhar nos olhos e enxergar o mundo, de não ter acordado na madrugada só para dizer baixinho: “te amo” e voltar a dormir mais feliz.
Tenho saudade até das brigas bobas que não trouxeram aquela reconciliação boa e dos planos não feitos em baixo das cobertas.
Nada me tortura mais do que essa saudade. Ela trás ao meu peito um amargor, daquilo que não fui, daquilo que não fomos, por obra do destino ou simplesmente por não estar atenta aos sinais, deixando o tempo passar. É uma espécie de fracasso pessoal por não ter vivido um amor tão bonito. É como quem ganha um presente e não pode desfrutá-lo. É como um paraíso negado.
Paira sobre mim a dúvida de uma felicidade não sentida, de um futuro que poderia ser perfeito e que me escapa, como grãos de areia.
E essa saudade dói, bem mais do que a saudade do que já vivi.
"Também temos saudade do que não existiu e dói bastante.
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 9 de junho de 2009

Madrugada Fria

Três horas da manhã

Estou pensando em você e nesse amor que é só seu

Pensando em tudo que poderia ser

No meu quarto escuro só há solidão e o eco da minha voz gritando em silêncio a dor da sua ausência

Madrugada sem fim. A chuva cai lá fora e somente ela é testemunha dessa saudade imensa, que me tira o sono, me tira o ar, me paralisa.

Sou como um rio seco. Tudo aqui é deserto e minha alma fria, não tem paz.

Adormeço cansada, entre lágrimas que não caem mais, orando baixinho que o sol não veja o meu desalento.

Que ele traga consigo qualquer alegria, qualquer vida, qualquer brilho.

Que o amanhecer traga liberdade ao meu coração.


D.O.


"Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer."
             Mario Quintana


segunda-feira, 8 de junho de 2009

"Diga sim"

Show tão esperado da Isabella Taviani. Como descrever esse momento tão especial? Vou tentar... o show foi incrivelmente lindo, denso, mágico, tocante! E não é papo de fã...ela estava iluminada, e tenho certeza que a platéia composta de quase 3.000 pessoas foi completamente envolvida por suas canções fortes, sua voz grave e seu olhar doce, brilhante de felicidade. Acho que foi isso! Ela estava feliz, entregue, de corpo e alma e era impossível não ser contagiada por aquela energia boa. E cumpriu a promessa, deu o melhor de si! Faz tempo que não assistia um show assim...tão verdadeiro!

Confesso que chorei um oceano, mas valeu a pena, foi por amor!

Obrigada, Tavi. Diga sempre sim para Salvador!!

Obrigada, amores! Valeu também a nossa esticadinha...noite incrível! Amo vocês!
Fotos by Genilson Coutinho.

"Abri as portas da vida, louca vida
Abri meus braços pro mundo
Não to mais sem rumo
Livrei meu corpo da dor
Porque chegou a hora de viver um novo amor "
I.T.

"zii e zie"

Foto by Fernando Amorim

Eh...Caetano Veloso surpreendeu em seu show "Zii e Zie" na última sexta-feira em Salvador. Parece que seus fãs mais conservadores ficaram chocados ao vê-lo, diante de uma concha lotada, abrir o tão esperado show com um medley estilo pagodão, composto por Psirico ('Cole na corda') e Fantasmão ('Tem de ser viola' e 'Kuduro').
Gente...se ele está experimentando novos rítmos ou simplesmente ironizando, não importa! É o mesmo Caetano Veloso...que já compôs letras lindíssimas e que hoje pode se dar ao luxo de brincar, sem perder o encanto. Só podia ser leonino...rs.

Apesar de esperar que ele cantasse os grandes clássicos, principalmente no bis, confesso que adorei o espetáculo!
Caetano, você é lindo! E concordo com você...a bunda do Tony Garrido é espetacular!


Meus amores, obrigada pela companhia! Com vocês "je vois la vie en rose".

Sem Cais - Caetano Veloso/Pedro Sá
Catei colo
E o mar parou
Fui deitando
Pra perguntar

Nome, bairro
Amigo, amor
De onde vem
Parar o mar
Seu sorriso
Bateu aqui
Inda posso
Me apaixonar

Quero tanto
Quero tanto
Quero tanto
Quero tanto você
Mar aberto
Mar adentro
Mar imenso
Mar intenso
Sem cais
Tou com medo
Tou com medo
Tou com medo
Tou com medo de ver
Que inda posso
Que inda posso
Que inda posso
Ir bem mais


Barra, Gávea
E Arpoador
Deuses brancos
De luz do mar

Deuses negros
Um esplendor
Quem é essa
E o que será
Quem me dera
Eu poder me dar
Todo a essa
Que eu nunca vi

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Névoa


Manhã cinza de junho.
Por onde andas?
Que estrada te leva para mais longe de mim, longe de nós?
Não sentes em seu coração, nem de leve, que eu clamo seu nome em pensamento?
Não sabes que morro todos os dias na triste ilusão do teu chegar?
Não. Não sabes. Não sabes porque és tão vão quanto esta névoa que paira no céu.
Não sabes porque és apenas um sonho, um sonho matinal.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Quero e não quero


Sorrisos de plástico. Não os quero mais. Quero sorrisos que brotem da alma, do fundo da alma e que façam o mundo ficar mais belo, mais leve.
Receitas prontas. Estou cheia delas. Quero o incerto, quero viver de surpresas, criar versos novos, aprender com as estrelas.
Não quero pouso, quero apenas ir, sem nortes, sem teias, sem pertencer, partir livremente.
Quero o perfume das flores, o canto dos pássaros, quero mais música, mais gentileza, mais amizade.
Não quero mais calar, já fui consumida pelo silêncio. Quero gritar, quero me expor, sem medo de errar. O medo quase me roubou de mim.
Não quero representar, nem dissimular. Quero ser amada pelo que sou, pela minha essência.
Quero experimentar, quero provocar, me lambuzar, e nunca me saciar.
Quero ser desigual. A mesmice me mata, o tédio me aprisiona, o cotidiano me limita.
Não quero rótulos. Quero ser eu mesma, me reinventando a cada dia.
Quero ser feliz e fazer os outros felizes.
E quero sempre amar. Amar a tudo e a todos. Hoje, um pouco mais que ontem, amanhã bem mais que hoje.
Quero morrer de amor todos os dias e renascer sempre mais amor.