" Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?"
- Assim falou Zaratustra

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Aos olhos teus...

Fico a me perguntar onde estará seu olhar.
De olhos diferentes de tudo que já pude ver nesta vida.
Tenho inveja de quem possa estar fitando-o nesse exato momento. A mim, resta lembrar do céu estrelado nos teus olhos e de todas as vezes que fui arrebatada para dentro daquele negrume encantado. Perplexa. Sem respirar, sem desviar, sem resistir, sem poder decidir. Lembrança viva, perpétua.
Saudade de tantas cores, todas cintilantes. De graça. E quanta graça! E também mistério, esperança.
Saudade de ser arrancada do chão ao fitá-los. Saudade de marejar, latejar, suspirar.
Fico a me perguntar ainda se um dia, em algum tempo, em algum lugar, alguma era, naufragarei novamente no mar dos teus olhos.
Olhos tão meus.
Olhos de adeus.
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz
A história de Lili Braun, Chico Buarque

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Internalizando...

"- É preciso saber sentir, mas também saber como deixar de sentir, porque se a experiência é sublime pode tornar-se igualmente perigosa. Aprenda a encantar e a desencantar. Observe, estou lhe ensinando qualquer coisa de precioso: a mágica oposta ao "abra-te, Sésamo". Para que um sentimento perca o seu perfume e deixe de intoxicar-nos, nada há de melhor que expô-lo ao sol."
(C. Lispector)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

"Esquadros"

Na rádio toca “esquadros”, da Calcanhotto. A mesma velha-nova canção de anos atrás. Lembro-me bem a primeira vez que a escutei pelo som do toca-fitas do meu irmão. Lembro-me também de ter ficado perplexa com a densidade da canção, tão bem contrastada com a voz doce e inspiradora de Adriana. Um lindo poema capaz de traduzir-me, na íntegra, de uma maneira que jamais conseguiria e que ainda hoje, depois de anos, me surpreende.
E como a mesma afirma, música é onda. Flui livremente... vai, volta... e segue seu curso de encantar e (re)encantar.
E aqui estou, embalada mais uma vez pela canção tema de minha vida. Que permanece...imperecível.

Esquadros (1991)

Eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
cores de Almodóvar
cores de Frida Kahlo, cores
passeio pelo escuro
eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
e como uma segunda pele um calo, uma casca,
uma cápsula protetora
eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
chorando ao telefone
e vendo doer a fome nos meninos que têm fome

Pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela(quem é ela? quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

Eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?
transito entre dois lados de um lado
eu gosto de opostos
exponho o meu modo me mostro
eu canto para quem?

Pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela(quem é ela? quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
minha alegria, meu cansaço?
meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado

Adriana Calcanhotto, para seu irmão Cláudio.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Apesar de...


“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.” Clarice Lispector

Destaco hoje um trecho do Livro “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres” da genial Clarice Lispector, que retrata tão bem minha fase atual de vida. Sempre me identifico com Clarice. Ela tem o poder de me fazer mergulhar nos meus sentimentos mais profundos, percorrendo caminhos obscuros, adormecidos, e que trazem certo desconforto à alma, como um pontinho tenebroso no céu, que não se dissipa, ainda que coberto por uma gigantesca nuvem alva. Por tanto, precisam ser trabalhados, explorados, repensados.
Então, refletindo em tudo que tenho vivido, questiono a minha relação com todos os “apesar de” que desbravo no dia a dia. É possível ser feliz apesar de tantos desencontros, desencantos, obstáculos, surpresas desagradáveis? É possível ser feliz apesar de tanta desilusão, desigualdade, tantas dores? É possível ser feliz apesar de tanta contradição, multidão, solidão? Apesar de uma saudade, de uma ausência? É. É possível. A vida nos prova que é. Todos os dias vemos histórias fabulosas de pessoas que fizeram de suas desgraças uma ponte para o sucesso e crescimento espiritual e que através da superação conseguiram se reencontrar consigo mesmas, recuperando a alegria de viver.
Penso que esse seja o grande desafio da nossa existência...ter força e sabedoria para continuar...seguir em frente sempre. Encontrar sempre uma nova cor, um novo brilho, um novo sentido.
Essa é a minha meta diária...aprender a saborear a vida apesar de tantos entraves. Sentir seu gostinho bom e eternizá-lo em mim. Ter sempre um novo rumo, um novo prumo, uma nova missão.
Saber-me feliz também apesar de ter no peito esse amor tão sufocado, já desbotado e que nunca diz adeus.

“Senhor concede-me a serenidade necessária para aceitar aquilo que não pode e não deve ser mudado. A força e a coragem necessárias para mudar aquilo que pode ser mudado. E sabedoria para distinguir uma coisa da outra”. Oração da serenidade.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A um amor viajante...

"I say a little prayer for you"


Aproveite cada momento.
Aprenda algo com cada pessoa que encontrar em seu caminho.
Faça novos amigos.
Seja humilde, mas nunca bobo.
Sonhe em Paris.
Chore em Paris.
Sorria em Paris.
Se apaixone em Paris, e nem tente procurar no novo amor características do antigo, não encontrará. Ame o novo sorriso!
Curta o frio...mas não permita que o inverno congele o seu coração. E quando o Sol chegar, ainda que acanhado, abrace-o!
Não tenha medo de ficar. Não tenha medo de voltar. Escute o seu coração. Ele sempre te mostrará o caminho.
Cuide bem de João. E lembre-se que ele deverá voltar para mim, para casa. Eu cuidarei de “de todas as maneiras” até a volta. (risos).

Escute a "nossa favorita" e chore de saudade...esqueça, "love is a losing game" é roubada...Acreditemos no amor...mais uma vez!
Não escute “baioque” (risos)...“o meu canto, punhalada, não conhece perdão”.
Tire muitas fotos. E encha a minha caixa de e-mail!
Me mande um postal de cada local lindo que visitar. Aff, serão muitos! rs.
Experimente. E que todos os seus dias sejam cheios de vida, de amor e de esperança.
Tenha sempre coragem para arriscar mais, amar mais, ser feliz mais!
E nunca esqueça... eu sempre amarei você!

Cuide-se bem !

Perigos há por toda a parte
E é bem delicado viver
De uma forma ou de outra
É uma arte, como tudo...
Cuide-se bem!
Tem mil surpresas à espreita
Em cada esquina mal iluminada
Em cada rua estreita
Em cada rua estreita
Do mundo...
Pra nunca perder esse riso largo
E essa simpatia estampada no rosto...
Cuide-se bem!
Eu quero te ver com saúde
E sempre de bom humor
E de boa vontade
E de boa vontade
Com tudo...
Guilherme Arantes

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Os meus versos"

Flor...me traduz, me exprime, me seduz...
Fala o que se passa aqui dentro, que repousa no coração e não se converte em palavras...
Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…
Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…
Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…
Florbela Espanca