" Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?"
- Assim falou Zaratustra

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Apesar de...


“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.” Clarice Lispector

Destaco hoje um trecho do Livro “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres” da genial Clarice Lispector, que retrata tão bem minha fase atual de vida. Sempre me identifico com Clarice. Ela tem o poder de me fazer mergulhar nos meus sentimentos mais profundos, percorrendo caminhos obscuros, adormecidos, e que trazem certo desconforto à alma, como um pontinho tenebroso no céu, que não se dissipa, ainda que coberto por uma gigantesca nuvem alva. Por tanto, precisam ser trabalhados, explorados, repensados.
Então, refletindo em tudo que tenho vivido, questiono a minha relação com todos os “apesar de” que desbravo no dia a dia. É possível ser feliz apesar de tantos desencontros, desencantos, obstáculos, surpresas desagradáveis? É possível ser feliz apesar de tanta desilusão, desigualdade, tantas dores? É possível ser feliz apesar de tanta contradição, multidão, solidão? Apesar de uma saudade, de uma ausência? É. É possível. A vida nos prova que é. Todos os dias vemos histórias fabulosas de pessoas que fizeram de suas desgraças uma ponte para o sucesso e crescimento espiritual e que através da superação conseguiram se reencontrar consigo mesmas, recuperando a alegria de viver.
Penso que esse seja o grande desafio da nossa existência...ter força e sabedoria para continuar...seguir em frente sempre. Encontrar sempre uma nova cor, um novo brilho, um novo sentido.
Essa é a minha meta diária...aprender a saborear a vida apesar de tantos entraves. Sentir seu gostinho bom e eternizá-lo em mim. Ter sempre um novo rumo, um novo prumo, uma nova missão.
Saber-me feliz também apesar de ter no peito esse amor tão sufocado, já desbotado e que nunca diz adeus.

“Senhor concede-me a serenidade necessária para aceitar aquilo que não pode e não deve ser mudado. A força e a coragem necessárias para mudar aquilo que pode ser mudado. E sabedoria para distinguir uma coisa da outra”. Oração da serenidade.

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